feirando

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Mesmo mesmo antes de me vir embora para as férias ditas "grandes" estive mais uma vez no mercado do Jardim do Príncipe Real.
Fiz coisas novas e duas das minhas favoritas eram estas. A da segunda fotografia já foi vendida mas ainda tenho mais uma em stock
Quanto à primeira continua à venda embora existam fortes possibilidades de ir parar à minha gaveta.

chegámos

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... ontem ao sítio do costume.
Finalmente em férias.
Daquelas em que perdemos a noção do tempo e já não sabemos em que dia da semana vamos.
Em vez do branco e do azul algarvios escolhi estas sombras do final de dia.
Bem tarde, 8 ou 9 da noite (dia?), a apreciar uma temperatura de 28ºC, em modo preguiça depois de um excelente dia de praia.
Nada mexe e só se ouvem as cigarras.

Ai que prazer 
Não cumprir um dever
Ter um livro para ler
E não o fazer
...
Fernando Pessoa
"Liberdade"

por último, e sobre o fazer

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"the hand is the window on to the mind"
Esta frase é do filósofo Immanuel Kant e escrevo-a aqui não porque saiba muito de filosofia (infelizmente sou muito ignorante nesta parte do Conhecimento) mas porque ao ler um artigo há uns dias atrás sobre arte e artesanato surgiu a questão do dito "handmade" que por aqui está a ser moda.
No mesmo artigo lia-se ainda o seguinte "It is only through making things, he (o autor) says – by trying and failing and repeating – that we gain true understanding. He is not, like some latter-day John Ruskin, arguing that handmade things are better than machine-made ones. He is simply saying that skilled manual labour – or indeed any craft – is one path to a fulfilling life".
Não fazia a mínima ideia de quem era o John Ruskin (sorry). E se bem entendi o cerne da questão, não tem discussão, não se trata de estar a comparar o que é melhor ou pior. O que acho mesmo é que tem toda a razão quando diz que é ... one path to a fulfilling life. Caminho que provavelmente levaria a que houvesse mais pessoas felizes e menos pessoas com depressões como é tão comum ouvir hoje em dia. 
Fui procurar definições de artesanato e arte e embora o significado de uma e outra não me fosse desconhecido, procurando as definições tomo melhor consciência do lugar de cada coisa quando observo algo e faço o exercício de o catalogar.
Chego à conclusão que muitas vezes é difícil porque a criatividade e o apreço do artesão em fazer o "objecto" é tão original e única que não há máquina que o substitua e assim sendo fico na dúvida se não estarei perante arte.
Em Cambridge foi um sítio onde dei por mim a achar que o artesanato é tratado por "tu" como se costuma dizer. Não queria cometer a parolice de dizer que "lá fora" é que é bom mas pareceu-me que é apreciado de uma forma diferente, "natural", e acho que não reparei em ninguém a franzir o nariz e a dizer que era muito caro como já me disseram a mim num mercado ... " ... é mais caro porque é feito à mão não é? Pois o vestido é muito giro mas por esse preço não queroi. Obrigada". Pode ser que um dia esta mentalidade mude num país onde todos parecem querer ser "doutores" esquecendo que os cursos ditos "profissionais" eventualmente podem ser tão ou mais importantes nos dias que correm em que temos tantos doutores à procura de emprego ( ... convém esclarecer que não tenho nada contra os "doutores" mas gostava que também valorizassem mais os "ofícios").
Por último (que a divagação já vai longa e já é tarde e eu estou cansada) ficam as imagens que me inspiraram. Gosto de várias das exposições e ideias. A registar o Arts & Crafts Market considerado um dos 10 melhores no género no Reino Unido e outra tem a ver com algo semelhante a um behind the scenes ao vivo explicado aqui Cambridge Open Studios  ... muito à frente 
(Nota para não me esquecer: assim que me conseguir entender com o blogger o menu "handmade" muda de nome. Desde o início que procurava uma palavra melhor e agora já sei qual vai ser ...  :) )

comércio local

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Faz hoje uma semana que voltámos de Cambridge. Tenho andado entretida com outras coisas e dá-me a preguiça de vir aqui mas o texto anterior não está completo e quanto mais não seja para minha memória futura há dois assuntos que merecem registo.
A continuação que me parece mais óbvia tem a ver com a quantidade de lojas que transformam o comércio tradicional de Cambridge num passeio muito agradável e irresistível para qualquer bolsa com os "cordões mais abertos".
Ao contrário do que observo em Lisboa (e principalmente no bairro onde vivo onde toda a gente se queixa porque está tudo a encerrar de vez) em Cambridge as lojas de rua estão abertas todos os dias da semana sem excepção. São pequenas e acolhedoras sem layouts de franchising todos iguaizinhos que é uma verdadeira seca.
E, embora não tenha nenhuma imagem aqui, há n negócios de bancada de rua que são encantadores e com um atendimento super simpático, económicos e com bom aspecto.
A variedade de ofícios também é interessante, a loja de chapéus da quarta fotografia e o "Tailor and Cutter" da última fizeram os meus encantos. Principalmente esta última que faz com que continue a sonhar com uma versão no feminino.
Mas há muito mais que não mostro aqui, as pequenas mercearias, as livrarias, e muitas, muitas mesmo, lojas de produtos feitos à mão de que hei-de falar a seguir.

Cambridge

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Mais british é impossível.
Ficámos num hotel super agradável a uma walking distance de cerca de 20 min do centro da cidade.
Acordávamos no silêncio do campo e seguíamos para um pequeno-almoço óptimo com handmade muesli, brown bread torrado na hora, orange juice acabado de espremer e outras coisas assim do género.
Enquanto os gentlemen e algumas ladies liam os seus jornais da manhã uma senhora cuidava de regar as plantas e retocar os arranjos de flores dentro de casa (as flores por todo o lado fizeram os meus encantos ...). Eu diria que parecia uma cena de filme ...
Pouco mais tarde enquanto caminhávamos ao longo da estrada debaixo de uma chuva miudinha dava para observar as cottages que me lembram sempre as descrições da Agatha Christie nos livros da Miss Marple.
O verde dos jardins e as cores contrastantes das flores são uma constante.
Pelo caminho passávamos por alguns pubs, e depois de atravessar o rio íamos dar à zona central completamente cheia de pequenas lojas e pessoas pelos passeios e pela rua. Preços mais modestos tendo em conta o que é habitual encontrar em Londres.
Encontra-se tudo o que é característico e que vemos nos postais turísticos, desde os marcos dos correios, até aos milhares de bicicletas estacionadas por todo o lado, os anúncios de mil e um eventos e os monumentos austeros dos diversos colégios (desta vez a lembrar as descrições dos livros do Harry Potter).
As livrarias são de perder a cabeça e o verdadeiro handmade sem ser uma moda como está a acontecer por cá vale é verdadeiramente incentivado e vale bem a pena conhecer. Para mim aquilo a que alguns apelidavam como handmade já entrava no capítulo da arte (... mas enfim, se calhar sou eu que ainda sou pouco exigente quando se trata de arte).
E como não podia deixar de ser até encontrámos um local chamado "Portugal Place".
Ainda não registei tudo. Mas posso dizer desde já que fiquei fã de Cambridge, que adorei conhecer, e que eu era pessoa para passar aqui uma temporada como estudante de qualquer coisa.
Este relato há-de continuar em mais um ou dois capítulos seguintes ...

above the sky

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Voltámos ontem. Continuamos a correr de um lado para o outro e há tantos pensamentos acumulados e coisas por escrever aqui que nem sei bem por onde começar.
Para já fica a imagem de regresso a casa que sabe sempre bem. Diferente do que é habitual porque estamos acima das nuvens. Estando os dois sozinhos, obrigados a esperar, sem ter perguntas à espera de atenção e resposta, deu para ficar por ali e deixar que o azul do céu nos desse descanso ao cérebro. Encostar e relaxar um pouco. Algo que é raro de acontecer porque são poucas as vezes que se consegue o tempo, o silêncio, e a calma suficientes para o fazer. Acho que até consegui adormecer por alguns momentos ...

viseu

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Julho começou hoje, e na mesma velocidade que Junho parece que os dias prometem passar rápido demais por aqui.
Este fim-de-semana andámos por Viseu e arredores. Esquecemos os IP's e as A qualquer coisa e andámos por estradas e estradinhas que não tinham registo no GPS nem no mapa do ACP. Não há dúvida que infra-estruturas rodoviárias não nos faltam, algumas nem percebemos bem porque foram feitas. Chegar de um ponto ao outro do país é bem mais rápido do que há alguns anos atrás, mas com esta rapidez toda perde-se a descoberta de sítios fantásticos.
Conseguimos apanhar chuva, nevoeiro, sol, calor e frio em apenas dois dias. Percorremos não sei quantos quilómetros e a cor predominante que me fica em memória é o verde. Em locais na grande maioria quase vazios de pessoas gravo as imagens de praças, jardins e casarios harmoniosos que revelam os cuidados de quem lá está num país que vive várias realidades tão diferentes. Continuam as tradições e, apesar de toda esta globalização e do "digital" e sei lá mais o quê que meta a palavra "net", o sentido da terra continua a existir. Isso ainda se sente e ainda bem que assim é.
Como de costume tive a melhor companhia e a que mais gosto de ter.
Tive o silêncio (que saudades deste silêncio no meu dia-a-dia) sem palavras e com boa música que me permite que o pensamento viaje a mil num egoísmo que me sabe pela vida.
Como eu gosto destes dias assim.

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