pelo bairro

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Já tinha saudades de ficar em casa calmamente. Esquecer-me das coisas que tenho para arrumar e fazer muito pouca coisa que seja útil.
Basicamente, entrar e sair, dar meia volta e ir beber um café só porque sim, voltar a casa, e preguiçar.
Hoje andámos pelo bairro a aproveitar este tempo que já é de Primavera e que nos deixa mais bem dispostos. Visitámos a feirinha mensal da Praça de Londres. Parámos no novo quiosque no jardim da igreja. Entretive-me a observar pela milionésima vez estas estátuas que povoam o jardim desde que me lembro. E trouxe uma fotografia da minha favorita. Recorda-me todas as vezes que levei os meus filhos ao parque infantil para andarem no "escorrega" sempre a adiar a hora de voltarem para casa para almoçar e fazer a eterna sesta.

no 4º andar do John Lewis

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em Oxford Streetuma secção chamada "fashion fabrics".
Apesar de ser um daqueles armazéns multi-marca gigantescos que existe em Londres tem uma secção dedicada a costura, lãs e afins bastante interessante e bem apetrechada.
Não recomendaria na parte que diz respeito a tecidos propriamente ditos porque a variedade não é muita, mas parece-me um bom sítio a visitar para comprar moldes (Vogue, Burda, Simplicity, ...), acessórios de costura (a marca Prym está muito bem representada) ou para comprar lãs e material de tricot ou crochet.
Gostei do espaço dedicado à "Great British Sewing Bee", e do reservado à "Sew over it" (que ainda não foi desta que visitei), e também há um canto com um aspecto bem confortável onde nos podemos sentar e pedir a ajuda de uma das empregadas enquanto nos decidimos.
Também vendem máquinas de costura a que achei graça pelo colorido.
Normalmente não é nestes grandes armazéns que procuro por estas coisas mas já não me lembro bem como é que fiquei com esta como sendo uma das referências a visitar em Londres e onde nunca tinha estado antes.
Não me desiludiu e escusado será dizer que me demorei um bocadinho por ali :)

inside the world of Alexander McQueen

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"Clothes don't come from a notepad. It comes from Degas, Monet and my sister-in-law in Dagenham" - Alexander McQueen

Este fim-de-semana estive em Londres. E tive a sorte da minha estadia coincidir com o dia de inauguração da exposição "Savage Beauty" sobre Alexander McQueen no Victoria & Albert Museum.
Nasceu em 1969 e morreu com 40 anos em 2010. Suicidou-se no auge da sua carreira um dia antes do funeral da mãe. Trágico! Segundo consta sofria de depressão, ansiedade e insónias, e há histórias de outras tentativas de suicídio.
Mas esta é a parte triste, para quem tiver a sorte de visitar a exposição entende melhor a grandeza do que está exposto se conhecer um pouco mais da história da sua vida.
Aos 16 anos começou como aprendiz de um alfaiate em Savile Row. Aos 20 anos passou para um atelier de trajes de teatro. A seguir vai trabalhar como "pattern cutter" em dois atelier em Londres e em Milão. Entre 1990 e 1992 conclui o MA em Fashion Design na Central Saint Martins, uma das mais prestigiadas escolas em Moda (fazia parte do mesmo grupo de Stella McCartney e Galliano). A partir daí seguem-se quatro "Awarded British Designer of the Year" e mais uns do género.
Aos 27 anos é o chief designer da Givenchy.
Era um naturalista. Gostava dos opostos. Conseguia ver beleza onde o comum dos mortais via fealdade. E devia ser completamente "passado da cabeça". À sua história muito resumida falta-me juntar a origem humilde do East End de Londres onde "schooling wasn't at the top of the agenda, ..." como ele próprio referiu, e outras curiosidades como o facto de ser o mais novo de seis irmãos, de gostar de fazer os vestidos das suas três irmãs, e de visitar o Museu de História Natural todos os domingos durante a sua infância.
Não tenho palavras para descrever esta exposição. A Mariana que estava comigo ficou deslumbrada e quando lhe pergunto o que mais gostou deste fim-de-semana uma das coisas que refere é a "exposição da roupa" como ela lhe chama. A dada altura era ela que queria voltar atrás para ver melhor um vestido ou outro e prometeu-me que ia desenhar um deles para mim :)
Se esta morte não tivesse acontecido aonde nos teria levado o seu génio?
Ao ver esta exposição percebe-se o nível que atinge a Moda como forma de produzir autênticas obras de arte em espectáculos absolutamente fantásticos e surpreendentes como costumavam ser as suas "catwalk".
Com muita pena minha não era permitido tirar fotografias. Para juntar a este texto encontrei esta fotografia das borboletas que foi uma das peças da exposição que tanto eu como a Mariana gostámos imenso.

manual de engenharia têxtil

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Alguns dos livros recomendados na Faculdade já não estão à venda.
Um deles é o Manual de Engenharia Têxtil da Fundação Calouste Gulbenkian que pelo que me tenho vindo a aperceber é dado como referência em n sítios mas que só se encontra para consulta em bibliotecas ou então à venda em alfarrabistas.
Foi a "googlar" à procura deste livro que fui parar ao OLX e que encontrei o Manual do Fabricante de Tecidos sobre o qual escrevi ontem. E a coincidência é que um dos autores do Manual de Engenharia Têxtil também iniciou a sua profissão no mesmo local que José Maria de Campos Mello, ou seja na Covilhã. Neste caso, na Fábrica Campos Melo, Irmão, Lda. Não faço a mínima ideia se esta fábrica ainda existe. Mas a coincidência dos nomes Campos Melo e Covilhã faz com que sejam referências que merecem alguma pesquisa que ainda hei-de arranjar tempo para fazer.
Entretanto, este último Manual é de 1984 e parece-me quase a uma biblia no campo dos têxteis.
Algumas das páginas estão sublinhadas e com anotações de antigo(s) proprietário(s).
E inclusivé ainda tem pequenos papéis com anotações manuscritas.
Pode parecer um bocado esquisito mas eu gosto de bisbilhotar estas coisas e acho piada a estes achados.

manual do fabricante de tecidos

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"Na primeira edição dêste Manual, escrevemos: "a vulgarização dos processos e das operações que compõem uma indústria, parece-nos, tanto ou mais útil que conhecer a história política e social de um povo."
...
Repetimos porém o que já escrevemos na primeira edição, isto é, "não se deve pensar que só pelo livro se pode conhecer, em tôdas as suas minúcias, uma indústria tão variada e complexa, como é a dos têxteis, tornando-se indispensável completar o estudo teórico com uma aturada e orientada prática."
A não ser nas fábricas onde o operário e o patrão podem colher elementos para conhecer teóricamente as indústrias e depois as poderem praticar, em Portugal, faltam infelizmente escolas de fiação e tecelagem, como faltam também professores habilitados para ministrarem um ensino teórico prático da transformação dos têxteis, segundo os processos empregados pela sciência moderna.
... O ensino nas fábricas é sempre defeituoso, mas se não temos escolas-oficinas nem mestres que se possam dizer competentes, que remédio senão o ter-se de recorrer às oficinas?"
Quem escreve assim em inícios do século XX é José Maria de Campos Melo (Técnico Industrial, professor do Ensino Industrial,  antigo director da Escola Industrial de Lanifícios Campos Melo, Covilhã. Antigo director Técnico da Fábrica Velha, na Covilhã. Antigo deputado.)
E este texto é extraído do Prefácio do Manual do Fabricante de Tecidos da Biblioteca de Instrução Profissional, do qual é o autor.
Parece que o ensino profissional continua a ser um tema sempre actual, embora os problemas sejam velhos.
Descobri a existência deste livro através da Sara. E devo dizer que é um dos meus livros preferidos.
O ano passado encontrei uma versão que fez as minhas delícias não só pelo interesse do conteúdo como pela forma opinativa como estava escrito.
Há uns dias atrás, por acaso, encontrei este exemplar da 2ª edição à venda, que julgo ser mais antiga, e à qual não resisti. Não só por me parecer muito diferente do outro em algumas partes (tem 598 páginas em vez 258) mas também pela ortografia antiga (lan em vez de lã, sciência em vez de ciência, ...) em que está escrito e pela descrição de alguns dos processos que devem ser bem mais antigos onde aparecem ilustrações com senhoras (fiandeiras) usando saias compridas.
Esta colecção é absolutamente fantástica. Na minha lista de desejos segue-se o "Manual do Sapateiro" e o "Manual do Tipógrafo".

pelo Porto

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... mais precisamente pela Rua das Flores até à Ribeira.
O Porto cada vez melhor. Numa mistura entre a cidade antiga e o bom gosto da recuperação na medida certa do que pode ser o comércio tradicional. Uma cidade feita de detalhes que apetece fotografar. O sotaque sempre igual de quem diz o que lhe vai na alma.
Não me canso de lá voltar. E cada vez que volto é uma agradável surpresa.

feira da buzina

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Este fim-de-semana fomos à feira da buzina.
Não fazia a mínima ideia que existia uma feira destas em Lisboa.
Trata-se de uma feira de velharias onde não há bancadas porque os vendedores estacionam o seu automóvel e põem à venda tudo o que levarem na bagageira.
O local de realização não é fixo e desta vez aconteceu no Jardim do Arco do Cego.
Eu gostei desta feira. Tem coisas que achei bem interessantes e a preços que me pareceram razoáveis. É muito do género da feira da Ladra mas só se vende velharias mesmo, sem a parte das meias e das cuecas à dúzia e a cassete pirata.
Embora a intenção inicial fosse só ver não consegui vir-me embora de mãos vazias.
Passei à frente de uma máquina de escrever (que me andam a tentar há algum tempo) e sendo a loucura mais que muita começando já a parecer doença não resisti a uma velha máquina de costura Husqvarna (penúltima fotografia) que estava super completa com uma caixa lindissima em madeira e com livro de instruções e acessórios em óptimas condições.
E um bocadinho mais à frente encontrei uma velha raquete de ténis Slazinger com esticador (última fotografia) para uma certa pessoa que está sempre a reclamar quando eu me ponho a comprar estas coisas mas que também não resiste.
Com o treino que trouxe das nossas últimas férias na India "regateei" um pouco e (embora possa estar enganada) vim-me embora contente e feliz convencida de ter conseguido bons preços. Não foi pechincha mas pelo menos tentei (isto sou eu a achar claro!).

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